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sexta-feira, 22 de março de 2019

22 de Março de 2019 _ Dia Mundial da Água

No Dia Mundial da Água especialistas do Inpe alertam para a preservação de árvores
'Rios-voadores', que trazem chuva da Amazônia para centro e sudeste do país, podem estar ameaçados pelo desmatamento

Por Lucas Cardoso e André Rosa, G1 Vale do Paraíba e região


22/03/2019 14h03  Atualizado há 58 minutos

Entenda o fenômeno 'rios-voadores' explicado pelos especialistas

http://g1.globo.com/sp/vale-do-paraiba-regiao/videos/v/entenda-sobre-o-fenomeno-rios-voadores/7475406/

O abastecimento de água no Vale do Paraíba e em outras regiões do país pode estar em risco pela falta de preservação da Floresta Amazônica. É o que alertam pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e do Centro de Monitoramento de Desastres Naturais (Cemaden) ouvidos pelo G1 no Dia Mundial da Água, comemorado nesta sexta-feira (22). (acesse o link acima)

Antonio Nobre e José Marengo fizeram parte de grupos de pesquisadores que há mais de uma década espalharam aparelhos meteorológicos pela Amazônia e depois processaram, em São José dos Campos (SP), dados de um fenômeno.

Eles comprovaram a existência de uma grande coluna de água, que é transportada pelo ar, da Amazônia ao centro-sul do continente. "Um rio maior que o Amazonas", compara Nobre, PhD em Ciências Naturais, pela Universidade de New Hampshire (EUA), e hoje pesquisador no Inpe .

"Esse rio voador só existe graças à Floresta Amazônica, que produz umidade e impulsiona a formação dele", complementa Marengo, doutor em meteorologia, com pós doutorado no renomado Instituto Goddard, da Nasa. Hoje, Marengo é coordenador-geral de pesquisas no Cemaden.

Os rios voadores, como metaforicamente foram chamados pelos pesquisadores, nascem perto da linha do Equador, ao norte do Pará. O sol evapora água do Oceano Atlântico, e a transporta para dentro do continente, graças à ação dos alísios, um vento especial que carrega umidade e provoca chuva por onde passa.

Quando percorre a região da Amazônia, essa coluna de ar úmido ganha um poderoso e decisivo aliado. Ela se junta à umidade emitida pela 'transpiração' das árvores amazônicas. O destino desse rio voador seria o Oceano Pacífico, não fosse um outro ponto determinante no percurso, a Cordilheira dos Andes.

Ao encontrar os Andes, o rio voador faz uma curva e ganha velocidade, rumo ao centro do continente. Leva chuva ao Centro-oeste, Sudeste, e partes do Sul e Nordeste brasileiros, antes de perder força. Sem esse rio voador, a realidade seria diferente.


"Do outro lado dos Andes é o Atacama, o deserto mais seco do mundo. Na África é o Namíbia-Kalahari, na Austrália é o deserto da Austrália. E São Paulo, essa região do Centro-Oeste pra baixo, é uma região que seria, geograficamente, um deserto. Esse era nosso destino geográfico, não fossem os rios voadores e a floresta", explicou Nobre

A quantidade de vapor emitida pelas árvores foi calculada pelos pesquisadores. "Uma árvore amazônica, com uma copa de 20 metros, chega a colocar mil litros de água por dia na atmosfera. É um irrigador em reverso. Se você pensar que a Amazônia tem 400 bilhões de árvores de variados tamanhos, a quantidade de água que passa do solo pro ar, num dia, é de 20 trilhões de litros de água. O Rio Amazonas, que é o maior do mundo, joga no Atlântico, no mesmo período, 17 trilhões de litros de água", comparou o pesquisador.

Destruição da Floresta Amazônica preocupa meteorologistas e ambientalistas.  — Foto: Rosa Maria/Pixabay Destruição da Floresta Amazônica preocupa meteorologistas e ambientalistas.  — Foto: Rosa Maria/Pixabay
Destruição da Floresta Amazônica preocupa meteorologistas e ambientalistas. — Foto: Rosa Maria/Pixabay

Destruição da Floresta Amazônica preocupa meteorologistas e ambientalistas.  — Foto: Rosa Maria/Pixabay

Desmatamento
A supressão de árvores na Amazônia preocupa os pesquisadores. O Inpe monitora o desmatamento, por meio do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes). Em 2018, foram desmatados 7.900km² de vegetação, 13,7% a mais do que em 2017.

"Se você pensar que a Amazônia já teve de 600 a 700 bilhões de árvores e hoje tem 400 bilhões, é de se preocupar. Se continuarmos nesse ritmo, o rio voador vai morrer. Eu comparo a floresta com uma bomba hidráulica. Se eu chego com uma marreta e arrebento a bomba, acabo com a irrigação da minha agricultura. Destruir floresta, destruir árvore, é quebrar a bomba que está irrigando o Brasil", disse Nobre.


"Temos que cuidar, proteger os mananciais, proteger a floresta. Se você não pode deixar a floresta intocada, pelo menos pode usá-la sustentavelmente. A água doce, a água para beber está começando a ficar escassa", complementou Marengo.

Crise hídrica
José Marengo relaciona a crise hídrica de 2014, em São Paulo, com a falta de preservação ambiental.

"Tem registro de seca no Brasil desde 1500. Cada seca que acontece é um problema e a população sofre. Na crise de 2014, as estruturas hidráulicas não foram bem dimensionadas, as temperaturas foram maiores, o consumo de água aumentou e os níveis dos reservatórios caíram. Água é um recurso que não é ilimitado e, meteorologicamente falando, estamos sujeitos a experimentar a falta d'água. Por isso é importante preservar esse rio voador, que começa em se mantendo as árvores na Amazônia", concluiu.

globoplay.globo.com/v/7478179/

terça-feira, 22 de março de 2016

ECONOMIZE, Ela pode acabar.


Dia Mundial da Água

Dia Mundial da Água: 78% dos empregos no mundo dependem de recursos hídricos

Andreia Verdélio - Repórter da Agência Brasil

Água

No Dia Mundial da Água, ONU alerta para a relação entre a falta de fornecimento adequado e o desemprego Arquivo/Agência Brasil

A falta de fornecimento de água seguro, adequado e confiável para os setores altamente dependentes de recursos hídricos resulta na perda ou no desaparecimento de empregos e pode limitar o crescimento econômico mundial nos próximos anos, “a menos que exista infraestrutura suficiente para gerenciar e armazenar a água”. O alerta é feito hoje (22), Dia Mundial da Água, pela Organização das Nações Unidas (ONU).

A edição de 2016 do Relatório Mundial das Nações Unidas para o Desenvolvimento de Recursos Hídricos é produzido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em nome da ONU Água. Com o tema a água e o emprego, ele mostra que 78% dos empregos que constituem a força de trabalho mundial são dependentes dos recursos hídricos. “Nós temos algo em torno de 1,5 bilhão de pessoas no mundo que ainda têm problemas de acesso à água, seja em quantidade ou em qualidade. Isso afeta o emprego delas também”, disse o coordenador do setor de Ciências Naturais da Unesco no Brasil, Ary Mergulhão.

A Unesco estima que mais de 1,4 bilhão de empregos, ou 42% do total da força de trabalho mundial, são altamente dependentes dos recursos hídricos. Entre os setores mais atingidos estão a agricultura, indústria, silvicultura, pesca e aquicultura, mineração, o suprimento de água e saneamento, assim como quase todos os tipos de produção de energia. Esta categoria também inclui empregos em áreas como cuidados de saúde, turismo e setores de gestão de ecossistemas.

Também foi estimado que 1,2 bilhão de empregos, ou 36% do total da força de trabalho mundial, são moderadamente dependentes dos recursos hídricos. São setores para os quais a água é um componente necessário em suas cadeias de valores, como construção, recreação e transporte.

Desde os anos 80, a captação de água doce tem aumentado mundialmente em cerca de 1% ao ano, principalmente devido à crescente demanda em países em desenvolvimento, segundo a Unesco. “A redução da disponibilidade hídrica vai intensificar ainda mais a disputa pela água por seus usuários. Isso afetará os recursos hídricos regionais, a segurança energética e alimentar e, potencialmente, a segurança geopolítica, provocando migrações em várias escalas”.

Economia verde
Além do aumento da demanda, as mudanças climáticas são uma ameaça à disponibilidade de recursos hídricos. “A mudança climática levará, inevitavelmente, à perda de empregos em determinados setores. Uma abordagem proativa de adaptação por meio de políticas pode amenizar algumas dessas perdas”.

A criação de oportunidades de emprego em atividades de mitigação e adaptação e o mercado emergente de pagamentos por serviços ambientais pode oferecer às populações de baixa renda a oportunidade de criar um tipo de empreendedorismo, com aumento de renda e implementação de práticas de restauração e conservação.

“A urbanização acelerada e o aumento dos padrões de vida, o aumento da demanda por água, alimentos e energia de uma população mundial em constante crescimento, inevitavelmente, levarão à criação de postos de trabalho em determinados setores (por exemplo, tratamento municipal de águas residuais) e à perda de postos de trabalho em outros”, diz o relatório.

Segundo a oficial do Programa Mundial das Nações Unidas em Avaliação dos Recurso Hídricos da Unesco na Itália, Angela Ortigara, as maiores potencialidade de emprego estão relacionadas com a economia verde. “Há todo um trabalho para capacitar os empresários para essa transição econômica”, afirma.

A produção de energia, por exemplo, como um requisito para o desenvolvimento, possibilita a criação de empregos diretos e indiretos por todos os setores econômicos. Segundo a Unesco, o crescimento no setor de energia renovável leva ao crescimento do número de empregos verdes e independentes de recursos hídricos. “Podemos dizer que a geração de energia eólica e solar já cria mais empregos do que a de fonte convencional”.

Questões de saúde e gênero
Segundo o relatório, investimentos em saneamento e em água potável de qualidade fomentam o crescimento econômico, com altos índices de retorno. “O acesso ao suprimento de serviços seguros e confiáveis de saneamento e de água potável de qualidade, nas casas e nos locais de trabalho, em conjunto com a higiene adequada, são essenciais para se manter uma força de trabalho saudável, educada e produtiva”.

A Unesco destaca as questões de direitos humanos, economia verde, desenvolvimento sustentável e gênero, a serem consideradas pelos gestores de políticas públicas ao tratar das relações entre recursos hídricos e  trabalho. “Anualmente, 2,3 milhões de mortes são relacionadas ao trabalho. Doenças contagiosas ligadas ao trabalho contribuem para 17% dessas mortes e, nessa categoria, os principais fatores para a proliferação dessas doenças, mas que podem ser evitados, são água potável de baixa qualidade, saneamento inadequado, falta de higiene e falta de conhecimento”.

Segundo o relatório, cerca de 2 bilhões de pessoas necessitam de acesso a melhor saneamento, com as meninas e as mulheres em situação ainda mais precária. Ortigara diz que isso se deve ao fato de que, em lugares sem infraestrutura, as mulheres são responsáveis pela coleta de água e destinação das fezes, ou quando precisam sair de casa e se afastar da comunidade para cuidar da higiene, muitas vezes sofrem violências nesses percursos.

“E não estamos falando só de zona de guerra”, disse a oficial, sobre os problemas relativos à água, saneamento, higiene e emprego. Ela conta que um estudo feito em Bangladesh, com a distribuição de absorventes íntimos em uma empresa onde 80% dos empregados eram mulheres, diminuiu as faltas ao trabalho de 73% para 3%.

Políticas públicas
O relatório da Unesco recomenda que cada país, conforme a sua base de recursos, potencialidades e prioridades, identifique e promova estratégias específicas e coerentes, bem como planos e políticas para alcançar o equilíbrio ideal entre os setores da economia e gerar o melhor resultado possível de empregos decentes e produtivos, sem comprometer a sustentabilidade dos recursos hídricos e do meio ambiente.

“Com vistas a promover o crescimento econômico, a redução da pobreza e a sustentabilidade ambiental, deve-se considerar os métodos que reduzem a perda de empregos ou o deslocamento de pessoas, além daqueles que maximizam a criação de empregos resultantes da implementação de uma abordagem integrada na gestão dos recursos hídricos”, acrescenta o relatório.

Edição: Graça Adjuto


domingo, 15 de fevereiro de 2015

11 fatos marcantes da sustentabilidade em 2014.


Por Marina Maciel - Antes que o ano acabe, o Planeta Sustentável preparou esta lista para você relembrar alguns momentos marcantes da sustentabilidade em 2014. Mas já avisamos: não temos só notícias boas e dá para aprender lições valiosas com cada uma delas. 
Preparado?

1) CRISE HÍDRICA NO SUDESTE

São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais vão disputar de maneira feroz o “ouro do século 21″: a água. É o que afirma a ambientalista Malu Ribeiro, coordenadora da ONG S.O.S. Mata Atlântica.


Desde o começo do ano, os paulistas têm sentido na torneira – bem pior do que no bolso, concorda? – os efeitos da atual política de gestão dos recursos hídricos. O estado de São Paulo enfrenta uma das piores secas de sua história. Tão violenta, que praticamente esgotou o volume de água das represas que abastecem as cidades do estado.

Pior: a seca não tem perspectiva de melhora em 2015, por conta do desenvolvimento dofenômeno El Niño. O aquecimento das águas do Oceano Pacífico formará nuvens que se arrastarão para a direção oeste. Mas não para a América do Sul.

A situação é tão preocupante que 15 importantes cientistas brasileiros – entre eles, o climatologista Carlos Nobre e o pesquisador do INPE José Marengo – lançaram carta aberta que faz análise minuciosa da grave crise hídrica que atinge a região Sudeste.

Quer saber mais? Acompanhe o blog Planeta Água e fique por dentro do assunto!
2) O PIOR SURTO DE EBOLA DA HISTÓRIA

Só em 2014, o vírus Ebola matou 6.856 pessoas, segundo dado divulgado em 13/12 pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Apesar de a maior parte das vítimas ser da África Ocidental (especialmente da Libéria, e dos fronteiriços Serra Leoa e Guiné, onde existem apenas 10 médicos para cada 100 mil habitantes), a epidemia preocupa o mundo todo. No total, mais de 18 mil casos do vírus foram confirmados. Até o Brasil teve casos suspeitos.


Para conter a epidemia, profissionais de saúde de todo o mundo foram enviados para as regiões mais prejudicadas. Graças à falta de infraestrutura adequada, o trabalho é perigoso. 639 casos de infecção foram registrados, com 349 vítimas fatais. A revista Timefez uma bela homenagem a estes corajosos ao eleger equipes de combate ao ebola como personalidades de 2014.

O surto também sensibilizou famosos e artistas. Dois DJs da Libéria lançaram uma música (com direito a coreografia), cantores – entre eles Bob Geldof, Bono Vox, One Direction, Sinead O’Connor e Chris Martin – e craques do futebol também se uniram em prol da causa.

Descoberto em 1976, o vírus normalmente mata 500 pessoas na África Subsaariana a cada ano. A epidemia de 2014 é considerada a mais mortal desde a descoberta do Ebola.
3) A CIDADE DE SÃO PAULO E A MOBILIDADE URBANA

Nem um ano depois dos protestos por conta do aumento da tarifa de ônibus em São Paulo, o prefeito Fernando Haddad arregaçou as mangas para encarar de frente este assunto tão urgente de São Paulo: a (i)mobilidade urbana.


Em pouco tempo, a cidade ganhou faixas exclusivas de ônibus e ciclovias nas principais avenidas. Claro que a medida foi polêmica, já que reduziu espaço que antes era usado por automóveis para estacionamento ou trânsito. Para o famoso ciclista e empresário norte-americano Gary Fisher, que andou pela cidade em outubro, “a mudança está chegando em São Paulo”. E ela é muito boa!
4) CO2 E OUTROS GASES NOCIVOS À ATMOSFERA

Depois de milhões de anos, a humanidade bateu recorde perigoso em abril: aconcentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera passou o nível de 400 partes por milhão (ppm) durante todo o mês. Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), para limitar o aumento da temperatura do planeta entre 2 e 2,4ºC, os níveis de CO2 na atmosfera não podem exceder 400 ppm.


Os alimentos já começaram a sofrer os efeitos da mudança do clima, revelou estudo da Nature, publicado em junho. Trigo e arroz, por exemplo, poderão ter menos nutrientes em 2050 por conta das altas concentrações de CO2 na atmosfera.

Além disso, mais um fato preocupante: cientistas descobriram sete novos gases emitidos por humanos nocivos à camada de ozônio. Quatro deles foram detectados em março e outros três em junho.

5) LANÇAMENTO DO 5º RELATÓRIO DO IPCC

clima foi o assunto do ano, especialmente por conta dos aguardados lançamentos do IPCC:  as três últimas partes do 5º Relatório de Avaliação sobre Mudanças Climáticas(AR5). As publicações foram tão significativas que 600 mil pessoas, de 161 países (inclusive do Brasil!), foram às ruas pedir ações efetivas e mais compromisso dos governos no dia 21 de setembro, marco que ficou conhecido como Marcha pelo Clima.


Além disso, 2014 está prestes a se tornar o ano mais quente de que se tem registro, segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM). O calor recorde tem relação com as altas temperaturas nos oceanos, e vem se mostrando um problema desde janeiro: tanto que os 10 primeiros meses do ano foram os mais quentes já registrados desde que começaram as medições, em 1880.

Hoje, cidadãos do mundo todo conhecem não só as causas do aquecimento global, mas também sua origem, graças aos relatórios, resultado do trabalho de milhares de cientistas. São eles:

Impactos, Adaptação e Vulnerabilidades, que apresenta conclusão importante (e preocupante): nenhuma pessoa estará livre dos impactos do aquecimento global nos próximos anos;

Mitigação das Mudanças Climáticas, que destaca a necessidade de mudança de comportamento e de padrões de consumo para fazermos cortes de emissõesprofundos, e
Relatório Síntese, que reúne, alinha e, claro, resume as informações das três partes do relatório já publicadas entre 2013 e 2014.

O AR5 veio em um momento crítico da ação internacional de combate às mudanças climáticas e servirá de base para a elaboração de um acordo global na COP21, em Paris, em 2015.

6) CHINA E EUA SE UNEM PARA REDUZIR EMISSÕES

Mas não fique desesperançoso. Existe luz no fim do túnel. Como diz o próprio IPCC, o aumento de temperatura é irreversível, sim – mas podemos reduzir os efeitos catastróficos da mudança do clima com a mitigação das emissões de gases de efeito estufa.


Em novembro, o mundo se surpreendeu (e comemorou) com o anúncio de um tratado entreChina e Estados Unidos, já que os dois países são os maiores emissores de carbono do mundo, para redução drástica de emissões até 2030. Para o presidente norte-americano Barack Obama, o acordo é um “grande marco” histórico.

7) MALALA: DA TRAGÉDIA AO PRÊMIO NOBEL DA PAZ

A história da menina paquistanesa Malala Yousafzai inspira pessoas de todo o mundo. Aos 15 anos, em 2012, , acusada por talibãs paquistaneses de “prejudicar o islã” por frequentar a escola, ela levou um tiro na cabeça. Em vez de amedrontá-la, o atentado só a fez insistir ainda mais na causa. “A educação é o caminho para acabar com o terrorismo”, acredita.


Não foi à toa que ela se tornou símbolo na luta pelo direito universal à educação e pelos direitos das mulheres. Agora, Malala ganhou outro reconhecimento: é a pessoa mais jovem a ganhar o Prêmio Nobel da Paz. Demais essa menina, não?

8) AS LIÇÕES DA SECA NA CALIFÓRNIA

O estado mais rico dos EUA, está no seu quarto ano consecutivo de seca e tem registrado queda significativa dos níveis de chuva. Pior: cientistas temem que a situação perdure até o fim do século.


A escassez é tão preocupante que o governo da Califórnia tomou medidas drásticas para evitar o desperdício de água: passou a multar em 500 dólares quem for pego lavando calçadas, regando jardins ou lavando carros.

Por conta da multa salgada, alguns californianos adotaram uma medida no mínimo curiosa para manter a grama sempre lustrosa: pintá-la de verde. Este ano, pipocaram no estado empresas especializadas na pintura de gramados.

Deixando o bizarro de lado, a Califórnia tem, pelo menos, 10 boas iniciativas que podem servir de exemplo para o Brasil também:

1- multar quem desperdiça água;

2- multar casas com vazamentos;
3- criar cursos obrigatórios para quem gasta demais;
4- priorizar o consumo humano;
5- premiar quem troca o gramado por plantas que exigem menos água;
6- distribuir hidrômetros gratuitamente;
7- reaproveitar água do ralo;
8- tratar esgoto e usá-lo para abastecer os lençóis freáticos;
9- tirar o sal da água do mar, e
10- evitar vazamentos nas tubulações subterrâneas.


9) POLÍTICA NACIONAL DOS RESÍDUOS SÓLIDOS: 

O Brasil já ocupa o 5º lugar entre os maiores produtores de lixo do mundo, segundo a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe). Em 2013, cada brasileiro gerou 1kg de resíduos por dia. Só que apenas 3% do nosso lixo é reciclado.


A situação ficou ainda mais feia agora, já que passou o prazo estipulado pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), em vigor desde 2010, para o fim dos lixões a céu aberto. Além de contaminar o meio ambiente, o descarte irregular de resíduos coloca a saúde da população em risco.

A lei é clara: os lixões deveriam ser fechados até 8 de agosto e os resíduos sem possibilidade de reciclagem deveriam ser encaminhados a aterros sanitários. Mas a data passou e o descarte ilegal continua. Estagnamos nos lixões?

10) A AMEAÇA DA 6ª EXTINÇÃO DE ESPÉCIES

Uma série de estudos publicados em julho trouxe um alerta: a biodiversidade corre perigo. Segundo um dos autores da pesquisa, Clinton Jenkins, hoje, a extinção de espécies no mundo, provocada pelo homem, é mil vezes maior que a taxa natural.


Esta onda crescente de “sumiço” de espécies está sendo chamada de defaunação. Diferentemente do desmatamento, que pode ser medido por satélites, o declínio de espécies de animais pode passar despercebido por órgãos de proteção ambiental.

Em agosto, um dos biólogos mais importantes do mundo surpreendeu ao propor estratégia de conservação audaciosa. Segundo Dr. Edward Osborne Wilson, influente cientista de 85 anos da Universidade de Harvard, para prevenir a sexta extinção em massa de espécies, precisamos destinar metade do planeta exclusivamente para a proteção dos animais. Ele acredita que estamos enfrentando um “holocausto biológico”, causado pelos seres humanos. O que acha da ideia?

11) 2014: O ANO DA SELFIE (DO PLANETA TERRA)

Como você sabe, este foi o ano de pegar o celular, esticar o braço e tirar um retrato de si mesmo. Nem a Terra não ficou de fora da famigerada selfie! Explicamos.

Para comemorar o Dia da Terra, em 22 de abril, a Nasa convidou todas as pessoas do planeta a fazer uma selfie em uma paisagem legal. Depois, todas as fotos enviadas pelas redes sociais foram reunidas para compor uma “selfie global”.
Diz aí, o mosaico bonitão da foto abaixo não inspira a gente a cuidar melhor do planeta? Que venha 2015!

global-selfie
Fotos: Michael Mazengarb/Creative Commons/Flickr, Luiz Augusto Daidone/Prefeitura de Vargem, Global Panorama/Creative Commons/Flickr, Victor Moriyama, Divulgação/NASA, Sivanesan S/Creative Commons/Flickr, U.S. Department of Agriculture/Creative Commons, © European Union 2013 – European Parliament, Juliana Beletsis/Creative Commons/Flickr, Marcello Casal Jr./Agência Brasil, jacki-dee/Creative Commons/Flickr; NASA